O reganho de peso depois da cirurgia bariátrica pode acontecer por diferentes motivos. Em alguns pacientes submetidos ao bypass gástrico, uma das alterações encontradas é a dilatação da anastomose gastrojejunal, a região que conecta o reservatório gástrico ao intestino.
Quando essa abertura aumenta, a dinâmica da passagem dos alimentos pode mudar e contribuir para a recuperação do peso. Nesses casos, uma das possibilidades de tratamento é o TORe (Transoral Outlet Reduction), um procedimento realizado por endoscopia que reduz o calibre dessa abertura sem a necessidade de uma nova cirurgia abdominal.
O que é o TORe?
O TORe é uma técnica endoscópica desenvolvida principalmente para pacientes que passaram pelo bypass gástrico e apresentam reganho de peso associado à dilatação da anastomose gastrojejunal.
Durante o procedimento, o médico utiliza o endoscópio introduzido pela boca para realizar suturas na região da anastomose, reduzindo seu diâmetro.
A proposta é restabelecer parte do efeito restritivo da cirurgia original, modificando novamente o calibre da passagem entre o estômago e o intestino.
Por que a anastomose pode estar relacionada ao reganho de peso?
A cirurgia bariátrica modifica a anatomia e a fisiologia do sistema digestivo. Com o passar do tempo, essas estruturas também podem sofrer alterações. No bypass, a dilatação da anastomose gastrojejunal pode permitir uma passagem mais rápida dos alimentos e estar associada ao reganho de peso em determinados pacientes.
É importante destacar que o reganho de peso não tem uma única causa. Alterações anatômicas podem coexistir com fatores metabólicos, alimentares, comportamentais, medicamentosos e relacionados à própria evolução da obesidade. Por isso, identificar a causa do reganho é fundamental antes de definir qualquer tratamento.
Como o TORe é realizado?
O procedimento é feito por via endoscópica, sem cortes no abdômen. Após avaliar a anatomia do bypass, o médico utiliza instrumentos específicos acoplados ao endoscópio para realizar suturas na anastomose e diminuir sua abertura.
A técnica utilizada pode variar conforme a anatomia e as características de cada paciente. Por isso, a avaliação endoscópica faz parte da definição da indicação e da estratégia do procedimento.
O TORe faz o peso voltar ao que era logo após a bariátrica?
O objetivo do TORe não é reproduzir integralmente a cirurgia bariátrica, mas tratar uma alteração anatômica que pode estar contribuindo para o reganho de peso. Os resultados também não são iguais para todos os pacientes.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada por Beran e colaboradores na revista Obesity Surgery, em 2025, reuniu seis estudos com 333 pacientes submetidos ao TORe para reganho de peso e/ou Síndrome de Dumping após bypass gástrico. A análise encontrou uma taxa combinada de sucesso clínico de 83%, mas os autores destacaram a necessidade de estudos prospectivos e acompanhamento mais longo para fortalecer essas evidências.
Dessa forma, o procedimento deve ser entendido como uma ferramenta dentro do tratamento do reganho de peso, e não como uma garantia de perda de peso.
Quem pode ser candidato ao TORe?
A indicação depende principalmente da combinação entre histórico de reganho de peso e alterações anatômicas identificadas na avaliação.
Entre os aspectos considerados estão:
- Tipo de cirurgia bariátrica realizada;
- Evolução do peso ao longo do tempo;
- Presença e grau de dilatação da anastomose;
- Hábitos alimentares e comportamento alimentar;
- Condições metabólicas e clínicas;
- Resposta a estratégias anteriores de tratamento.
Essa avaliação é importante porque uma anastomose dilatada, isoladamente, não significa que o TORe seja necessariamente a melhor opção.
TORe é uma nova cirurgia bariátrica?
O TORe é um procedimento endoscópico e não corresponde a uma nova cirurgia bariátrica.
A técnica é realizada através da boca e atua especificamente sobre a anastomose gastrojejunal. Por isso, pode ser considerada uma alternativa menos invasiva à revisão cirúrgica em pacientes que apresentam indicação para tratar uma alteração anatômica específica.
Para quem busca tratamento da obesidade em Valinhos, Campinas e região, a avaliação individual é essencial para entender se o reganho está relacionado à anatomia do bypass e quais possibilidades de tratamento fazem sentido.
O que acontece depois do procedimento?
A redução do calibre da anastomose exige uma adaptação alimentar progressiva, conforme a orientação da equipe responsável.
O acompanhamento nutricional continua sendo importante para adequar a alimentação, preservar o estado nutricional e trabalhar os fatores associados ao reganho de peso.
O resultado do TORe também deve ser acompanhado ao longo do tempo. Afinal, tratar uma alteração anatômica não elimina os demais fatores envolvidos na obesidade.
O TORe pode evitar uma nova cirurgia?
Em pacientes selecionados, o procedimento pode representar uma alternativa endoscópica antes de considerar uma revisão cirúrgica.
A escolha depende da anatomia encontrada, do histórico da cirurgia bariátrica, da magnitude do reganho e das condições clínicas do paciente.
Na Clínica Concon, em Valinhos, a avaliação do paciente pós-bariátrico considera esses diferentes aspectos para definir a estratégia mais adequada.
O Dr. Admar Concon Filho atua nas áreas de cirurgia do aparelho digestivo, endoscopia e tratamento da obesidade, incluindo abordagens endoscópicas para pacientes selecionados.
Perguntas frequentes sobre TORe
Em quais situações o TORe pode ser considerado?
O procedimento pode ser considerado principalmente em pacientes submetidos ao bypass gástrico que apresentam reganho de peso associado à dilatação da anastomose gastrojejunal, após avaliação médica e endoscópica.
Quanto peso é possível perder depois do TORe?
A perda de peso varia conforme as características de cada paciente e os estudos disponíveis apresentam resultados diferentes. Por isso, a indicação não deve ser baseada em uma expectativa fixa de perda de peso.
O TORe substitui o acompanhamento depois da bariátrica?
O procedimento faz parte de uma estratégia de tratamento e não substitui o acompanhamento médico e nutricional. A manutenção dos cuidados é importante para abordar também os fatores metabólicos, alimentares e comportamentais relacionados ao reganho.
