Quando pensamos em tratamento da obesidade, é comum que a atenção esteja voltada para alimentação, atividade física, medicamentos, procedimentos endoscópicos ou cirurgia bariátrica.
Embora todos esses fatores sejam importantes, existe outro aspecto que pode influenciar diretamente os resultados do tratamento: a saúde mental.
A obesidade é uma doença complexa, que envolve não apenas mecanismos metabólicos e hormonais, mas também fatores emocionais, comportamentais e psicológicos. Por isso, cada vez mais centros especializados adotam uma abordagem multidisciplinar, reunindo diferentes especialidades para cuidar do paciente de forma integral.
Nesse contexto, a Psiquiatria desempenha um papel importante ao ajudar a compreender aspectos que podem impactar a relação com a alimentação, a adesão ao tratamento e a qualidade de vida.
A obesidade vai muito além da alimentação
Durante muito tempo, a obesidade foi vista apenas como consequência de hábitos alimentares inadequados ou da falta de atividade física. Hoje, a ciência mostra uma realidade muito mais complexa.
A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a obesidade como uma doença crônica multifatorial, influenciada por fatores biológicos, genéticos, ambientais, sociais e emocionais. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo, número que continua crescendo globalmente.
Além disso, diversos estudos demonstram uma relação estreita entre obesidade e saúde mental.
Uma meta-análise publicada no periódico JAMA Psychiatry identificou que pessoas com obesidade apresentam maior probabilidade de desenvolver sintomas depressivos quando comparadas à população sem obesidade. Já uma revisão sistemática publicada na revista Obesity Reviews encontrou associação consistente entre obesidade e transtornos de ansiedade.
Esses dados reforçam que a saúde física e emocional frequentemente caminham juntas, especialmente quando falamos sobre uma condição crônica como a obesidade.
O papel da Psiquiatria no tratamento da obesidade
A atuação da Psiquiatria no tratamento da obesidade vai muito além da prescrição de medicamentos.
O objetivo é compreender fatores que podem influenciar o comportamento alimentar, a relação do paciente com o próprio corpo, sua saúde emocional e sua capacidade de manter mudanças ao longo do tempo.
Em muitos casos, o ganho de peso não está relacionado apenas à alimentação em si, mas também a questões como ansiedade, estresse crônico, alterações de humor, dificuldades emocionais e padrões de comportamento que se desenvolveram ao longo dos anos.
A avaliação psiquiátrica permite identificar essas situações de forma mais ampla, contribuindo para a construção de um plano terapêutico individualizado e alinhado às necessidades de cada paciente.
Mais do que tratar sintomas isolados, a proposta é compreender a pessoa por trás da doença.
A compulsão alimentar merece atenção especial
Entre as condições frequentemente associadas à obesidade, uma das mais relevantes é o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
Segundo a American Psychiatric Association (APA), o TCAP é atualmente o transtorno alimentar mais prevalente entre adultos e está frequentemente associado ao excesso de peso e à obesidade.
A compulsão alimentar não deve ser confundida com episódios ocasionais de exagero alimentar. Ela envolve episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimento acompanhados de sensação de perda de controle, frequentemente associados a sofrimento emocional significativo.
Nem todos os pacientes com obesidade apresentam compulsão alimentar, mas sua identificação é importante porque ela pode influenciar diretamente a evolução do tratamento.
Quando reconhecida adequadamente, essa condição pode ser abordada dentro de um plano terapêutico mais amplo, envolvendo diferentes profissionais da equipe multidisciplinar.
A saúde mental também é importante antes da cirurgia bariátrica
Procedimentos como a cirurgia bariátrica, o Balão Intragástrico e a Gastroplastia Endoscópica (ESG) representam ferramentas importantes no tratamento da obesidade. No entanto, nenhum desses tratamentos atua isoladamente.
As principais diretrizes internacionais para tratamento da obesidade recomendam uma avaliação abrangente dos pacientes antes da realização de procedimentos bariátricos ou endoscópicos. Isso acontece porque o sucesso do tratamento depende não apenas da técnica utilizada, mas também da capacidade de adaptação às mudanças que ocorrerão ao longo da jornada.
Questões relacionadas à alimentação, expectativas, hábitos e saúde emocional podem impactar diretamente a experiência do paciente antes e depois do procedimento.
Por esse motivo, a participação de profissionais da saúde mental faz parte de uma abordagem moderna e completa da obesidade.
O acompanhamento continua após o procedimento
Existe uma ideia equivocada de que procedimentos para obesidade encerram o tratamento. Na prática, eles representam apenas uma etapa de uma jornada muito mais ampla.
Após procedimentos como ESG ou cirurgia bariátrica, o paciente passa por um período de adaptação física, alimentar e emocional. Mudanças corporais, novas rotinas, desafios relacionados ao comportamento alimentar e expectativas sobre os resultados fazem parte desse processo.
Estudos publicados na revista Surgery for Obesity and Related Diseases (SOARD) demonstram que o acompanhamento multidisciplinar contínuo está associado a melhores índices de adesão ao tratamento e manutenção dos resultados ao longo dos anos.
Por isso, o cuidado com a saúde mental continua sendo relevante mesmo após a realização do procedimento.
Um tratamento completo exige diferentes especialidades
A obesidade é uma condição complexa demais para ser tratada por uma única especialidade.
Por isso, as principais sociedades médicas nacionais e internacionais recomendam uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais capazes de avaliar diferentes aspectos da saúde do paciente.
Na Clínica Concon, o tratamento da obesidade é conduzido por uma equipe formada por especialistas de diversas áreas, permitindo que fatores metabólicos, nutricionais, comportamentais e emocionais sejam avaliados de forma integrada.
Entre esses profissionais está a Dra. Emi Bragiato, psiquiatra que integra a equipe multidisciplinar da clínica e contribui para um acompanhamento ainda mais completo e individualizado.
Essa visão global permite que cada paciente seja avaliado de forma única, considerando não apenas o peso, mas todos os aspectos envolvidos na sua saúde e qualidade de vida.
Quando procurar apoio psiquiátrico durante o tratamento da obesidade?
O acompanhamento psiquiátrico pode ser útil em diferentes momentos da jornada de tratamento.
Situações como episódios recorrentes de compulsão alimentar, ansiedade relacionada ao peso, sintomas depressivos, sofrimento emocional persistente ou dificuldades em manter mudanças de hábitos podem indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada.
O objetivo não é rotular ou patologizar comportamentos, mas compreender fatores que possam estar interferindo na saúde e no tratamento.
Para pacientes que buscam tratamento da obesidade em Valinhos, Gastroplastia Endoscópica em Campinas ou atendimento especializado no Interior de SP, uma avaliação multidisciplinar permite identificar de forma mais precisa quais estratégias podem fazer parte do plano terapêutico.
Para conhecer mais sobre essa abordagem integrada, acesse a página do Dr. Admar Concon Filho, especialista em cirurgia digestiva, endoscopia terapêutica e tratamento da obesidade.
Perguntas frequentes
O psiquiatra participa apenas dos casos mais graves de obesidade?
A atuação da Psiquiatria pode ser relevante em diferentes momentos do tratamento. O acompanhamento não está relacionado apenas à gravidade da obesidade, mas também à presença de fatores emocionais, comportamentais ou psiquiátricos que possam influenciar a saúde e a qualidade de vida do paciente.
Todo paciente que vai fazer cirurgia bariátrica precisa de avaliação psiquiátrica?
A avaliação faz parte da abordagem multidisciplinar recomendada pelas principais diretrizes para tratamento da obesidade. O objetivo é compreender aspectos emocionais e comportamentais que possam impactar a adaptação ao tratamento e o acompanhamento a longo prazo.
Ansiedade e compulsão alimentar podem influenciar os resultados do tratamento?
Aspectos emocionais podem interferir na relação com a alimentação, na adesão às orientações e na manutenção de hábitos saudáveis. Por isso, sua identificação e acompanhamento podem contribuir para um cuidado mais completo e individualizado.
