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Exames endoscópicos

Exames endoscópicos do aparelho digestivo: quais são e quando são indicados

Uma das maneiras mais eficientes de avaliar o aparelho digestivo são os exames endoscópicos. Existem quatro opções: endoscopia, colonoscopia, enteroscopia de duplo balão e enteroscopia por cápsula endoscópica. Cada um realiza um tipo de exame e em locais diferentes do aparelho digestivo. Você sabe quais as diferenças entre eles e em quais casos são indicados?

O médico endoscopista Admar Concon Filho, que é membro titular e especialista pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, explica qual o papel de cada exame e quando ele deve ser indicado.

Endoscopia
A endoscopia digestiva alta é um exame realizado para visualizar, com uma câmera, toda a parte superior do trato gastrointestinal, que é composta pelo esôfago, estômago e duodeno (parte inicial do intestino).  “Através deste exame, podemos detectar úlceras, refluxos e fazer pesquisas de bactérias e outras doenças que acometem esses órgãos”, explica o médico. Para realizá-lo, é feito um preparo simples, que consiste, basicamente, em um jejum de pelo menos oito horas. Mas cada clínica passa essas orientações ao paciente no momento do agendamento.

Normalmente, a endoscopia é indicada para pessoas que apresentam dor no estômago, azia, má digestão ou dor abdominal há algum tempo. Ela também é importante em casos de perda de peso sem motivo aparente, de dor ao engolir o alimento, dificuldade para o alimento descer após ser engolido ou histórico de doenças graves na família, como câncer de estômago ou de esôfago.

“No dia do exame, o paciente recebe uma sedação para dormir e não sentir nenhum desconforto durante ou após o procedimento. Essa sedação pode ser feita pelo próprio médico endoscopista ou por um anestesiologista. Quando feita pelo endoscopista, ela costuma ser um pouco mais leve. Quando feita pelo anestesiologista, ela é mais profunda”, diz.

Colonoscopia
A colonoscopia é um exame indolor e também realizado com o paciente sob sedação anestésica, portanto, ele não vê nada. Para fazê-la, é necessário um preparo que, na maioria das vezes, começa 48 horas antes, com uma alimentação mais leve, depois uma dieta líquiada e ingestão de remédios laxativos para que, na hora do exame, o intestino esteja limpo e permita uma boa visualização do órgão. “Ela avalia a parte final do intestino, que é o intestino grosso, e de 10 a 20 centímetros da parte final do intestino delgado”, comenta Concon.

No dia do exame, o paciente fica deitado de lado e sedado. Atualmente, para maior segurança dos pacientes, a sedação é feita por um médico anestesiologista, salvo em casos em que não há cobertura do convênio para este profissional. Após a sedação, o médico endoscopista introduz o colonoscópio pelo ânus do paciente. Além de examinar o intestino e o cólon, também é possível fazer a retirada de pólipos e enviá-los para um exame anatômico patológico, que vai avaliar se são benignos ou malignos. No final do exame, o paciente é encaminhado para uma sala de recuperação, até que esteja acordado e possa ser liberado.

Uma das maneiras mais eficientes de prevenir o câncer de intestino, a colonoscopia deve ser feita por todas as pessoas a partir dos 50 anos de idade. Quem tem caso de câncer colorretal na família deve começar a fazer este exame 10 anos antes da idade que tinha o parente mais jovem quando descobriu a doença, ou seja, se este familiar teve câncer com 45 anos, você deve começar a fazer a colonoscopia aos 35 anos. A periodicidade do exame vai depender dos resultados, por isso, é importante sempre ter acompanhamento médico.

 

Cápsula Endoscópica
A Cápsula Endoscopia ou Enteroscopia por Cápsula Endoscópica é um exame feito no aparelho digestivo para analisar, principalmente, o intestino delgado, um órgão que possui de três a sete metros e não é visualizado através da endoscopia e da colonoscopia. Ela é uma cápsula, do tamanho de uma vitamina ou de uma pílula grande, com uma câmera dentro. O paciente engole esta cápsula, que percorre o aparelho digestivo e vai fotografando todo o percurso. As fotos são enviadas para um aparelho, preso a um cinto, que fica com o paciente durante o exame, em torno de oito horas.

A Cápsula Endoscópica é indicada para pacientes com quadro de anemia crônica por perda de sangue através do aparelho digestivo, mas que a endoscopia e a colonoscopia são normais, portanto, não indicam o local do sangramento. “Nós chamamos isso de sangramento de origem obscura. A Cápsula Endoscópica vai avaliar o intestino delgado para verificar se há uma hemorragia digestiva média. Ela também é indicada para pacientes com suspeita de doenças inflamatórias no intestino delgado, algo tipo de enterite, ou de pólipos na mesma região”, esclarece o médico.

Para este tipo de exame, não é necessário fazer uma sedação anestésica. “O paciente deglute a cápsula e fica na clínica em observação para verificarmos se a cápsula chegou ao intestino delgado. Caso isso não aconteça, nós fazemos uma endoscopia para direcioná-la”, comenta. Na sequência, o paciente é liberado para ir para casa. Ele retorna depois de seis a oito horas para entregar o gravador com as fotos. “Daí nós vamos analisar, em computador, as imagens que foram capturadas, para verificar se existe alguma doença, lesão ou patologia”, diz Concon. A cápsula será eliminada naturalmente nas fezes. Ela não precisa ser recuperada. O preparo para o exame é muito semelhante ao da colonoscopia.


Enteroscopia de duplo balão
Este também é um exame para avaliar o intestino delgado, realizado de uma forma bem semelhante à endoscopia e à colonoscopia. Além de avaliar o órgão, ele permite a realização de algumas intervenções terapêuticas, como a retirada de pólipos, que não é possível com a Cápsula Endoscópica. Possui as mesmas indicações da Cápsula Endoscópica.  Pode ser indicado, ainda, para avaliar o estômago excluso no paciente que faz o método by-pass da cirurgia bariátrica.

Existem dois tipos de enteroscopia de duplo balão. “A anterógrada, feita pela boca, em que avaliamos o esôfago e o estômago, passamos pelo duodeno e entramos pelo intestino delgado. Vamos caminhando o máximo que nós conseguimos, de dois a três metros. Se nós não atingirmos nenhuma lesão que justifique esse sangramento digestivo, em um outro dia, fazemos a enteroscopia retrógrada, via anal, em que começamos por uma colonoscopia, entramos pelo intestino delgado na parte final, pelo íleo terminal e subimos até o ponto mais proximal possível, normalmente, de dois a três metros também”, explica Concon. Os dois exames são realizados sob sedação anestésica.

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